RICARDO VERAS | Fiação pendurada não é detalhe urbano, é risco de morte
- Ricardo Veras

- 4 de fev.
- 2 min de leitura

Durante anos, a fiação pendurada e inservível nos postes das cidades foi tratada como um mero problema estético, quase um “detalhe urbano” que se mistura à paisagem. Mas a verdade é outra — e bem mais grave. Fios soltos, arrebentados ou abandonados representam um risco real à vida de quem circula diariamente pelas ruas, calçadas e avenidas, especialmente motociclistas, ciclistas e pedestres.
Não são raros os relatos de cabos que se rompem, ficam pendurados na altura do pescoço ou se espalham pelo asfalto após ventos e temporais. Em um trânsito já caótico, esse tipo de negligência pode resultar em acidentes graves e até fatais. E é justamente aqui que mora o problema: na desplicência de muitas prestadoras de serviços de internet por fibra ótica, que simplesmente substituem um cabo rompido e deixam o antigo pendurado, como se a responsabilidade terminasse na próxima emenda.
Em Canela, felizmente, essa lógica começou a ser enfrentada com seriedade. A Operação Poste Limpo, conduzida pela Secretaria de Segurança Pública, Mobilidade e Fiscalização, sob a coordenação do secretário Adriel Buss, tem mostrado que quando o poder público assume o problema, os resultados aparecem. Quase uma tonelada de fios inoperantes retirada em apenas uma ação não é apenas um número expressivo — é a prova concreta de que o risco estava ali, sobre a cabeça da população.
Desde o início da operação, cerca de 30 toneladas de fios inúteis já foram removidas dos postes da cidade. Isso significa menos poluição visual, sim, mas principalmente mais segurança. A iniciativa vai além da retirada: a reorganização da fiação ativa, com apoio da RGE, demonstra planejamento, técnica e compromisso com o espaço urbano.
Esse trabalho precisa ser reconhecido, mas também precisa servir de alerta. Não é aceitável que empresas privadas lucrem com serviços essenciais e, ao mesmo tempo, ignorem os impactos diretos de sua atuação no cotidiano da cidade. Fiação abandonada é sinal de descaso, de ausência de fiscalização interna e de desrespeito com a comunidade.
A intensificação das ações em fevereiro e o diálogo com as operadoras são passos importantes, mas a mensagem deve ser clara: quem ocupa o espaço público precisa assumir responsabilidade sobre ele. Postes não são depósitos de fios inutilizados, e ruas não podem ser transformadas em armadilhas invisíveis.
Canela dá um exemplo que deveria ser seguido por outros municípios. Segurança pública também passa por detalhes que muitos insistem em ignorar — e fios pendurados não são detalhe. São perigo.


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