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ÉLVIO GIANNI | Mandato de 5 Anos Sem Reeleição

  • Foto do escritor: Ricardo Veras
    Ricardo Veras
  • há 5 horas
  • 2 min de leitura

O Brasil precisa amadurecer um debate institucional importante: mandato de 5 anos para o Executivo, sem direito à reeleição.

Hoje, na prática, um prefeito, governador ou presidente eleito começa governando com o orçamento elaborado pela gestão anterior. Isso significa que, no primeiro ano, as entregas são limitadas, especialmente quando o novo governo ainda está organizando equipe, entendendo contratos, revisando prioridades e ajustando planejamento.

O segundo ano começa a ganhar ritmo. O terceiro ano é, normalmente, o auge das entregas. Mas, a partir da metade dele, o foco muda. A política começa a ocupar o espaço da gestão.

O quarto ano, muitas vezes, é consumido por articulações eleitorais, negociações partidárias, formação de coligações e cálculos estratégicos para a reeleição. Ou seja, quase metade do mandato fica comprometida entre adaptação inicial e disputa futura.

Próximo das eleições, vemos outro fenômeno: a corrida por anúncios, inaugurações apressadas e medidas populares que nem sempre foram planejadas com responsabilidade, mas que ajudam na construção de narrativa eleitoral.

O problema é estrutural.

Hoje, muitos governos não governam pensando em quatro anos. Governam pensando em oito. Isso faz com que decisões importantes sejam adiadas, reformas necessárias sejam evitadas e medidas impopulares, ainda que essenciais, sejam empurradas para depois ou simplesmente abandonadas.

Um mandato de cinco anos, sem reeleição, mudaria essa lógica.

O gestor teria tempo suficiente para estruturar, executar e consolidar políticas públicas. Poderia fazer o que precisa ser feito, inclusive o que não dá voto. Reformas administrativas, ajustes fiscais, reorganizações estruturais e decisões difíceis passariam a fazer parte do jogo, porque não haveria cálculo eleitoral futuro.

Ao final do ciclo, o julgamento seria claro: deixou legado ou não deixou. Mostrou competência ou não mostrou. Fez as entregas ou não fez.

Sem segunda chance eleitoral. Sem cálculo para o próximo mandato.

A política deixaria de ser um projeto de permanência e voltaria a ser um projeto de responsabilidade.

Mandato mais longo não é privilégio. É instrumento de gestão.

E talvez esteja na hora de discutirmos isso com maturidade institucional.

Élvio GianniEx-Secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Caxias do Sul (2021–2024)Empresário | Agente de Inovação | ConsultorInstagram: @elviogianniLinkedIn: Élvio Gianni

 
 
 

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