VIVIANE KREMER l O que tu veste quando vende?


Antes de dizer “bom dia”, apresentar o produto ou explicar o preço, você já comunicou alguma coisa.
A roupa falou.
O cabelo falou.
O brinco falou.
O cuidado pessoal falou.
A postura falou.
E, querendo ou não, tudo isso participa da venda.
Quando pensamos em vendas, lembramos de técnicas, argumentos, atendimento e negociação. Mas existe uma etapa anterior: a forma como nos apresentamos.
E não estou falando de roupa cara, marca famosa, salto ou blazer. A pergunta não é “estou bem vestido?”. É: “estou vestido de acordo com aquilo que quero comunicar?”
Imagine entrar em uma loja de produtos naturais e encontrar alguém impecavelmente vestido, mas com uma formalidade tão grande que você quase tem receio de tocar nos produtos. Agora pense em uma artesã de avental, mãos trabalhando, aparência cuidada e pronta para contar como aquilo foi feito. Qual imagem conversa melhor com a experiência que está sendo vendida?
Quem trabalha no campo pode transmitir competência de bombacha. Uma executiva pode estar de tênis. Quem recebe turistas pode usar uma roupa que carregue elementos da identidade do lugar. Um profissional de uma área criativa talvez consiga comunicar muito mais usando cor e personalidade do que escondido atrás de um terno.
Profissionalismo não mora em uma peça específica. Mora na coerência.
Existe também diferença entre simplicidade e desleixo. Uma camiseta básica, limpa e bem cuidada pode construir uma excelente imagem profissional. Roupa suja, exagerada, amarrotada ou inadequada para a situação comunica outra coisa. Não é sobre luxo. É sobre cuidado.
E há outro erro: vestir um personagem.
Colocar um blazer simplesmente porque alguém disse que ele transmite “autoridade” não fará ninguém automaticamente parecer mais competente. Se aquela roupa não combina com você, com seu trabalho ou com o ambiente, o desconforto aparece.
Imagem profissional precisa encontrar um ponto de equilíbrio entre quem você é, o que você vende e para quem você vende.
Por isso, antes de sair para trabalhar, vale olhar no espelho e trocar a pergunta.
Em vez de apenas “o que eu vou vestir?”, pergunte:
“O que eu quero comunicar quando eu vestir isso?”
Porque a venda não começa quando você apresenta o preço.
Ela pode começar muito antes — na primeira impressão de você!

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