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ANDRÉ CASTILHOS | O PREÇO DO SILÊNCIO E A ILUSÃO DA NEUTRALIDADE

  • Foto do escritor: Ricardo Veras
    Ricardo Veras
  • há 1 hora
  • 2 min de leitura

Há momentos na vida em que o óbvio deixa de ser evidente e, por isso mesmo, precisa ser dito com todas as letras. Estamos atravessando um desses períodos, as crises que testemunhamos diariamente, sejam elas políticas, sociais ou institucionais, não brotam do vazio, elas são alimentadas e agravadas por uma série de fatores, e há um elemento central que frequentemente fingimos não enxergar, “nada disso acontece sem a nossa permissão”.

É uma reação humana natural buscar o conforto do distanciamento. Quando nos colocamos em uma posição de suposta neutralidade e decidimos nos excluir dos processos decisórios, o mundo parece ficar mais simples afinal, do lado de fora, torna-se extremamente fácil apontar o dedo, julgar os erros alheios e eximir-se de qualquer responsabilidade sobre o destino coletivo.

No entanto, a verdadeira cidadania exige um preço mais alto, quando decidimos participar ativamente, mesmo sabendo que isso nos expõe a críticas, julgamentos e incompreensões, abrimos uma oportunidade real de alterar o curso das coisas ou, no mínimo, de neutralizar as forças que tentam nos parar, garantindo que os sujeitos da história sejamos nós, e não as circunstâncias.

Participar não significa ser o dono da verdade, e nem sempre a razão nos pertence, reconhecer isso é um sinal de maturidade, contudo, o poder de questionar de duvidar e de buscar o conhecimento, é um direito inegociável.

Sabemos que o cenário atual é delicado. Vivemos dias em que manifestar uma opinião pode resultar no chamado “cancelamento”. A pressão pelo silêncio transformou-se em uma ferramenta refinada de constrangimento e coação, desenhada especificamente para acuar aqueles que ousam pensar fora da cartilha dominante.

Se, diante desse medo, a nossa escolha for o recuo e a neutralidade, o veredito do tempo será implacável, o futuro não contará com a nossa participação como agentes transformadores. Em vez disso, aceitaremos o papel de simples peças em um tabuleiro alheio, movidas por mãos invisíveis e permanentemente expostas ao xeque-mate.

"Sim" e "Não" estão entre as primeiras e mais simples palavras que aprendemos a pronunciar na infância, elas representam a base da nossa identidade e da nossa vontade. É urgente que voltemos a exercitar a coragem de usá-las, antes que o espaço do debate se feche de tal forma que outros passem a responder e a decidir por nós.

 

Eu sou André Castilhos dos Reis, escolhi dar a minha opinião e assumir os riscos do debate público, porque entendi que se eu me calar diante daquilo que considero equivocado, estarei inevitavelmente colaborando com o injusto e, a omissão, definitivamente, não combina comigo. Até a próxima.


 
 
 

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