ANGELA OLIVEIRA - Todas as vezes que respeitei os sinais da vida encontrei respostas.
- Ricardo Veras

- 26 de set.
- 2 min de leitura

Existe o momento certo ,o lugar certo, existe aquela condição básica de se saber inteiro e justamente por essa razão nunca temer a solidão.Sou daquelas pessoas que adoram abrir portas e descortinar paisagens frente a janelas nem sempre iguais, mas carrego comigo o gosto do café com leite das manhãs de minha terra natal.
Janelas e portas sempre foram representativas na minha infância.
Vivi em uma casa muito grande cheia delas com pais irmaos avôs e uma tia que era detentora das chaves.
Aos 14 anos dei meu primeiro rolê meio desajeitada num vestidinho salpicado de flores e sem saber o quanto eu era bonita.

O garoto mais bonito que ali estava vindo da cidade grande me enxergou e a menininha que vivia entre quatro paredes descobriu a metrópole e percebeu que toda a arte aprendida na infância, todos os livros, seriam ainda pouco para o que viria.
Percorrendo a rua Augusta depois das aulas na Faap, me perdia na moda . Assistindo shows memoráveis me sentia quase uma paulistana. Participando dos ensaios da banda que formaram passei a rir do acaso.
Acendia velas e incensos, descumpria ordens, rabiscava poemas.
Ganhei uma nova família complementar.
Amava e nesse amor me perdia, era amada mas nesse amor ele me perdia.
Casei e tive dois filhos tão lindos que mil vidas não bastariam para eu agradecer. Hoje são 7 . Divido com o menino hoje com 70 , esses presentes.
Hoje de longe refaço todos os meus passos.
Hoje de longe revivo todos os momentos bons e ruins, avalio todos os meus erros e acertos.
Entendo o processo evolutivo nesse movimento diário de abrir e fechar portas e janelas, de deixar a luz entrar e também de deixar a noite cair e nos dar no silêncio o repouso.
Aos 35 anos encarei a morte de frente no sentido amplo da palavra. Escrevi então uma parte da minha vida na qual portas e janelas se alternavam com faltas e excessos, buscas inúteis pois tudo estava simplesmente e exatamente no lugar que deveria estar.... na janela da minha alma.
Em 2013 me despedi da minha mãe e o destino me levou à Croácia.
Na Eslovênia em um cenário de sonhos defini o que seria a tônica da minha vida... MARES CORES E ESTRELAS GUIA nasceu na praça central de Liubliana.
Hoje , anos depois encontrei o mar que busquei a vida toda e ele estava na Serra Gaúcha. Encontrei as cores da minha palheta e ao fechar a janela olho aquela estrelinha distante e digo....Valeu a pena percorrer tantos mares e me perder entre tantas portas e janelas simplesmente para poder dar bom dia ao dia nesta cidade que acolhe o meu cansaço e embala os meus sonhos como se a vida toda estivesse a me esperar.
Estou em Gramado !
Angela de Oliveira.

_PNG.png)
.png)










Comentários