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ESMAEL DELAGOSTINO | O maior erro ao montar um time (e por que ele custa caro)

  • Foto do escritor: Ricardo Veras
    Ricardo Veras
  • há 12 minutos
  • 3 min de leitura

Quando uma empresa decide contratar alguém, o processo costuma seguir um roteiro previsível: analisar o currículo, avaliar a experiência técnica e conferir o histórico de resultados. São critérios importantes — mas, sozinhos, insuficientes para construir um time de alta performance.


O erro mais comum na hora de contratar

Muitas empresas contratam um profissional porque ele é tecnicamente muito bom. O problema é que essa avaliação costuma ignorar três perguntas fundamentais:


• Essa pessoa se adapta à cultura da empresa?

• Ela consegue trabalhar bem com o time?

• Ela assume responsabilidade pelos resultados?

Sem respostas claras para essas questões, a contratação vira uma aposta. E, com frequência, uma aposta cara.

O que acontece quando o talento não está alinhado

Um profissional muito competente, mas desalinhado com o time, pode gerar consequências que vão muito além da própria função que ocupa:

• Conflitos internos

• Quebra de confiança

• Queda de produtividade

• Desgaste na liderança


Às vezes, uma única pessoa "muito boa" tecnicamente é capaz de enfraquecer um time inteiro — não por falta de competência, mas por falta de alinhamento.


O que a Netflix entendeu sobre formar times de alta performance

A Netflix é uma referência frequentemente citada quando o assunto é cultura organizacional, e por um motivo simples: a empresa percebeu, cedo, que times excepcionais não são formados apenas por especialistas. São formados por pessoas que funcionam bem juntas.

O fundador da companhia batizou esse princípio de Talent Density — densidade de talento. A ideia central é direta: poucas pessoas, mas extremamente boas e extremamente alinhadas. Segundo essa lógica, um time pequeno formado por profissionais excelentes vale mais do que um time grande com desempenho médio.

Os três pilares de um time forte

Times fortes não nascem apenas da habilidade técnica de seus integrantes. Eles nascem da combinação entre três fatores:

1. Competência — a capacidade técnica de executar bem a função.

2. Alinhamento cultural — a aderência aos valores e ao modo de trabalhar da empresa.

3. Responsabilidade — o compromisso genuíno com os resultados do time, não apenas com os próprios.

Quando esses três elementos estão presentes ao mesmo tempo, algo muda de natureza: o talento individual deixa de ser apenas talento individual e passa a se converter em performance coletiva.

A importância do perfil comportamental no processo seletivo

Diante desse cenário, verificar o perfil comportamental do candidato tornou-se tão importante quanto avaliar sua competência técnica. Não basta saber se a pessoa sabe fazer o trabalho — é preciso entender como ela se comporta, como se relaciona e se seus valores estão alinhados com os da empresa.

Esse tipo de avaliação deve começar já no processo seletivo, e a entrevista é o momento ideal para isso. Algumas perguntas ajudam a identificar esse alinhamento com mais clareza:

• Conte sobre uma situação em que você discordou de uma decisão do time. Como agiu?

• Como você reage quando recebe um feedback negativo?

• Descreva um momento em que um projeto não saiu como planejado. Qual foi a sua responsabilidade nisso?

• O que te motiva a fazer parte de um time, além dos seus resultados individuais?

• Quais valores você não abre mão em um ambiente de trabalho?

Perguntas como essas revelam muito mais do que um currículo é capaz de mostrar: mostram como o candidato pensa, como lida com conflitos e como se posiciona diante de responsabilidades e desafios coletivos.

Não tenha pressa na contratação

Contratar com pressa é um dos caminhos mais comuns para uma contratação equivocada. A urgência de preencher uma vaga pode levar a empresa a relativizar sinais de desalinhamento cultural que, no dia a dia, se tornam problemas reais.

Uma pessoa mal contratada gera custos que vão muito além do salário: tempo de treinamento perdido, impacto na produtividade do time, desgaste de liderança e, eventualmente, um novo processo seletivo — tudo isso somado ao custo emocional de lidar com o desalinhamento até a decisão de desligamento. Investir mais tempo em um processo seletivo criterioso é na prática, uma forma de economia.

Conclusão

O maior erro ao montar um time não é falta de talento — é contratar apenas por talento. Currículo forte, experiência técnica e histórico de resultados continuam sendo critérios relevantes, mas nunca deveriam ser os únicos. Empresas que constroem times de alta performance são as que aprendem a enxergar, além da competência, o alinhamento e a responsabilidade de cada pessoa que entra no time — e que têm a paciência de avaliar isso com calma antes de fechar uma contratação.


 
 
 

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