RICARDO VERAS | Fiação pendurada: um risco iminente à vida que não pode mais ser ignorado
- Ricardo Veras

- há 1 dia
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A cena se repete diariamente nas ruas, avenidas e até nas estradas urbanas: fios soltos, emaranhados e pendurados nos postes, muitos deles de fibra óptica, pertencentes a empresas de internet que operam na cidade sem o mínimo compromisso com a segurança da população. O que deveria ser sinônimo de avanço tecnológico transformou-se em um grave problema de infraestrutura urbana e, sobretudo, em um risco real à vida.
A ausência de manutenção adequada e a completa negligência na retirada de cabos inutilizados ou rompidos colocam em perigo constante pedestres, ciclistas e, principalmente, motociclistas — os mais vulneráveis nesse cenário de verdadeira esculhambação aérea. Um fio solto à altura do pescoço ou do tronco pode provocar acidentes gravíssimos, com consequências irreversíveis, e isso não é exagero: é uma ameaça concreta, visível e cotidiana.
É inaceitável que empresas que lucram alto com a exploração de serviços de telecomunicação simplesmente abandonem seus cabos nos postes, nos passeios públicos e nas vias de circulação. A cidade transformou-se em um depósito de fios mortos, sem identificação, sem controle e sem responsabilidade. A cada novo provedor que chega, mais cabos são pendurados; no entanto, poucos — ou nenhum — se responsabilizam pela organização, manutenção ou retirada do que já não está em uso.
Essa desordem não pode ser tratada apenas como um problema estético ou urbano. Trata-se de uma grave questão de segurança pública e de respeito ao consumidor. Diante desse cenário, é imprescindível que as autoridades competentes adotem providências enérgicas e contundentes, com fiscalização rigorosa, aplicação de multas, responsabilização civil e administrativa e, se necessário, a suspensão das autorizações de funcionamento das empresas infratoras. A omissão do poder público, nesse caso, também contribui para a perpetuação do risco.
Quem instala fios deve ser legal e moralmente responsável por eles do início ao fim. O espaço público não pode continuar sendo tratado como terra de ninguém. A população não pode pagar com a própria vida pelo descaso de empresas e pela falta de ação do poder público. Antes que novas tragédias aconteçam, é urgente agir, cobrar, responsabilizar e exigir respeito — ao consumidor, à cidade e, acima de tudo, à vida.













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