ANDRÉ CASTILHOS | Qual será o nosso legado? Cadeira de balanço ou espada em riste


Celebrar o 20 de setembro é fácil. Vestir a bombacha, assar o churrasco e cantar o hino Farroupilha preenche o peito de orgulho. Mas de que serve lembrar a bravura dos nossos antepassados se assistimos de braços cruzados ao desmantelamento da nossa ética no presente?
A cada escândalo de corrupção, a cada privilégio indevido em gabinetes que deveriam proteger o cidadão, somos dados a uma escolha: o desânimo ou a indignação. E o desânimo é o luxo dos covardes. Como podemos olhar nos olhos dos nossos filhos e exigir que acreditem no futuro se o que entregamos a eles é o silêncio complacente?
O gaúcho sempre teve na honra o seu valor mais caro. Mas indigência moral não se combate apenas com lamentações em grupos de mensagem ou conversas terapêuticas entre amigos. O protesto de rede social virou anestesia. Falamos muito para não precisar agir.
Inspiração não faltou a quem nos antecedeu. Se queremos que os jovens acreditem em um país justo, com oportunidades reais e direitos respeitados, precisamos mostrar que a cidadania não é um espectador passivo, é uma força da natureza. Expor ideias é o primeiro passo; cobrir essas ideias de ação efetiva é o compromisso.
A provocação que deixo para cada um de nós, deste mês de setembro, é simples e implacável: ou exercemos a nossa cidadania de peito aberto, cobrando e participando, ou aceitaremos envelhecer em uma cadeira de balanço, engordando a nossa apatia, para um dia olhar para os nossos filhos e admitir que preferimos nos acovardar.
Que sejamos dignos de quem veio antes de nós e um motivo de orgulho para quem virá depois.André Castilhos dos Reis

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