top of page

ESMAEL DELAGOSTINO | Antes de Demitir: Você Fez o Seu Papel?

Foto do escritor: Ricardo Veras
Ricardo Veras
há 3 horas
3 min de leitura

Como salvar um funcionário improdutivo em 90 dias e, se não der, decidir com a consciência limpa


Toda empresa já viveu esta cena: um colaborador que não entrega o esperado, um gestor frustrado e a decisão de demitir pairando no ar. Mas antes de assinar o desligamento, há uma pergunta que precisa ser respondida com honestidade: o gestor fez a sua parte?


Na maioria das vezes, o funcionário improdutivo é reflexo de um gestor ausente ou vago. Antes de pensar em demitir, o líder deve responder a três questões:


• O colaborador tem clareza do que é esperado dele?


• Ele foi treinado de verdade ou jogado na fogueira?


• As entregas são acompanhadas com frequência, ou a cobrança só surge quando o problema estoura?


Se alguma resposta for “não”, o problema pode não estar no funcionário, mas na gestão. Para resolver isso, apresentamos um ciclo de 90 dias com cinco passos práticos.


Passo 1: Diagnóstico (Dia 0 a 5)


O primeiro movimento é de clareza. O gestor deve:


• listar as atividades que o colaborador deveria entregar semanalmente;


• definir o que significa “entregar bem”, com indicadores claros e mensuráveis;


• marcar uma reunião 1:1 e dar um feedback objetivo, como: “Você está abaixo do esperado em A, B e C. Nos próximos 90 dias, vou acompanhar de perto a sua evolução.”


É hora de colocar a régua na mesa. Clareza é respeito.


Passo 2: Plano de Ação Individual (Dia 5 a 10)


Em seguida, construa um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) com três pilares:


1. Comportamento: pontualidade, postura e foco.


2. Técnico: habilidades que precisam ser aprimoradas.


3. Entrega: metas semanais de produtividade.


Cada item deve conter uma ação específica, um prazo e um responsável pelo acompanhamento.


Passo 3: Treinamento (Semana 2 a 4)


Pare de esperar que o colaborador aprenda por osmose. O gestor precisa mostrar como se faz (modelo), deixar executar e corrigir (prática) e avaliar com base em resultado, não em esforço.


Um exemplo de orientação: “Aqui está o script de atendimento. Quero que use isso em 100% dos casos por X dias. Depois, vamos revisar juntos os resultados.”


Passo 4: Execução e Acompanhamento Semanal (Semana 5 a 8)


Crie um ritual semanal de 20 minutos para revisar as entregas da semana, compará-las com a meta, identificar obstáculos e corrigir a rota. Planilha de entregas, gráfico de produtividade e checklists operacionais são ferramentas valiosas nessa etapa.


Sem acompanhamento, a performance cai.


Passo 5: Avaliação Final e Decisão (Semana 9 a 12)


Ao final do ciclo, o gestor terá dados claros para responder:


• O colaborador evoluiu?


• Está acima ou abaixo da régua mínima?


• Trata-se de falta de capacidade ou de falta de atitude?


Se, mesmo com treinamento, clareza e acompanhamento, o resultado não veio, a resposta já está dada. A decisão pode ser tomada sem drama, sem culpa e com dados.


Resumo Prático: o Ciclo dos 90 Dias


1. Diagnóstico com clareza de metas.


2. Plano de desenvolvimento individual.


3. Treinamento direto e prático.


4. Acompanhamento com indicador.


5. Decisão baseada em dados.


A Consciência Limpa do Bom Líder


Seguir esse ciclo traz um benefício que vai além da produtividade: a tranquilidade de quem cumpriu o seu papel. O gestor que esclareceu expectativas, treinou, deu feedback e acompanhou os resultados não precisa carregar dúvida ou culpa. Se a demissão acontecer, ela será fruto de uma análise justa, transparente e documentada, e não de impulso ou frustração.


E, se o colaborador evoluir, a empresa ganha um profissional recuperado, mais engajado e leal. Nos dois cenários, quem vence é a organização.


No fim, o ciclo dos 90 dias responde a uma pergunta decisiva: o problema era o funcionário ou a sua gestão?

Comentários


Em destaque

© 2025 Paralelo 29 Comunicação e Artes Ltda - Notícias VG

  • Instagram
  • Facebook

Email enviado!

ASSINE NOSSA NEWSLETTER SEMANAL

bottom of page