RICARDO VERAS | O perigo de aceitar a vigilância como algo normal


Quando aceitamos que câmeras em vias públicas, equipadas com inteligência artificial, possam observar o interior dos veículos, analisar o comportamento de motoristas e passageiros e até gerar multas, precisamos refletir sobre os limites dessa tecnologia. Hoje, a justificativa pode ser a segurança no trânsito; amanhã, outras justificativas poderão servir para ampliar a vigilância. Se normalizarmos a ideia de que o Estado pode observar e avaliar continuamente nossos comportamentos em nome do bem coletivo, o que impedirá que, no futuro, essa lógica avance para dentro das nossas casas? A questão não é ser contra a tecnologia ou a segurança, mas defender a liberdade, a privacidade e os limites do poder estatal. Uma sociedade livre precisa de leis que protejam seus cidadãos, não de um sistema em que todos sejam permanentemente observados e potencialmente punidos por aquilo que fazem.

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