ÉLVIO GIANNI - Falar de inovação é falar de Florianópolis


A capital de Santa Catarina é um dos melhores exemplos de como uma cidade pode olhar para suas limitações, identificar suas oportunidades e transformar sua economia.
Por estar em uma ilha, Florianópolis possui limitações para a instalação de grandes indústrias. Durante muito tempo, o turismo foi uma das principais forças da economia local. Mas a sazonalidade e as mudanças no comportamento das pessoas fizeram a cidade perceber que precisava se reinventar.
E foi exatamente isso que fez.
Florianópolis começou a planejar uma nova economia. Uma economia baseada em conhecimento, tecnologia, empreendedorismo, inovação e criatividade.
Em 2015, a cidade tinha cerca de 580 empresas de tecnologia. Hoje, em 2026, são aproximadamente 6.100.
O setor movimenta cerca de R$ 13 bilhões por ano e já representa aproximadamente 25% do PIB municipal. Sua força econômica é cerca de seis vezes maior do que a do turismo.
Mas Florianópolis entendeu algo ainda mais importante: para desenvolver uma economia inovadora, não basta criar empresas. É preciso criar um ambiente onde as pessoas queiram estar.
Por isso, a cidade passou a promover uma série de eventos e iniciativas ligados à tecnologia, cultura, gastronomia, turismo, esporte e economia criativa.
Esses eventos ajudam a movimentar a economia, gerar conexões, atrair investimentos, aproximar empreendedores e, principalmente, criar um ambiente capaz de atrair e reter jovens talentos.
A estratégia foi muito além da tecnologia.
Florianópolis construiu uma cidade onde inovação, qualidade de vida, empreendedorismo, cultura e criatividade passaram a caminhar juntos.
O resultado aparece nos números.
Santa Catarina é apontado como o estado mais competitivo do Brasil em 2026, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados.
E Florianópolis é parte importante dessa transformação.
Isso nos mostra que inovação não é apenas colocar tecnologia dentro da Prefeitura.
É entender que os jovens precisam encontrar oportunidades para estudar, trabalhar, empreender e construir suas vidas onde nasceram ou escolheram viver.
É criar ambientes que atraiam empresas, talentos e investimentos.
É conectar poder público, universidades, entidades, empresas e sociedade.
Florianópolis fez uma escolha.
Em vez de ficar limitada às suas características naturais e econômicas tradicionais, decidiu construir uma nova vocação.
E talvez essa seja a grande reflexão para outras cidades:
qual será a nossa próxima vocação econômica?
Porque cidades que querem crescer precisam olhar para o futuro antes que o futuro chegue.
Inovar é ter coragem para mudar, planejar e construir novas oportunidades.
Élvio GianniEx-Secretário do Desenvolvimento Econômico e Inovação de Caxias do Sul (2021–2024) | Empresário | Agente de Inovação | Consultor




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